Inspirado pelo post das meninas do 02 Neurônio - mas sem antes lembrar que esta 'série' já passeava aqui pelo blogue há uns bons anos - e com a habitual falta de assunto, me dedico agora a quarta parte das pessoas que irritam. Série especial 'brasileiros (ou a nacionalidade que você desejar) que moram fora do seu país.' Ô racinha maldita!
1 - o "íntimo"
Em Portugal ou na Inglaterra, dois países que ultimamente vêm se tornando nas filiais européias do Brasil, isso já não acontece com tanta frequência. Mas num país como a Alemanha (onde não existem assim tantos), encontrar um brasileiro na rua é como encontrar seu melhor amigo de infância que foi sequestrado quando ele tinha sete anos. Você está no metrô falando em Português com alguém no telefone e, quando desliga, o brasileiro que tava ali e ouviu tudo, vem todo animado na sua direção: "você também é brasileiro? que legal! e onde você mora? o que você faz? qual é o seu signo?". Ah, menos né? Claro que não há nada de mal em ser abordado num país estrangeiro por outro brasileiro - e eu próprio já abordei muita gente - o problema é quando eles acham que vocês têm algo de muito maravilhoso em comum, e que não é a sua nacionalidade. Ai, que saco.
2 - o "europeu"
Este virou uma praga. Não quer ser "confundido" como mais um na multidão e se acha especial. Você pergunta há quanto tempo ele mora fora do Brasil e ele faz uma dissertação minuciosa de como sua vida é diferente e maravilhosa depois de setenta e doze anos morando fora. Ele já não se sente mais um estrangeiro, e adora dizer que "faz parte da mobília". Geralmente sozinho e com altos níveis de ausência de personalidade, o "europeu" prega aos quatro cantos em falso lamento "que quase não conhece e não se relaciona com nenhum brasileiro" ou que já não sabe o que 'jabuticaba' quer dizer em Português ou que esqueceu completamente como se usa o gerúndio. O "europeu" é facil de ser identificado, é aquele que quando está metido numa confusão, ou reclamando com a caixa do supermercado porque foi maltratado, repete a sua frase de eleição, aquela que lhe dá poder máximo e todo o direito de armar barraco: "eu também sou [preencher nacionalidade], viu?!"
3 - o "bilíngue de rodoviária"
Este todo mundo conhece um. E eu estou falando dos que moram especialmente em Portugal. É aquele que fala Português do Brasil e Português de Portugal. E que às vezes, depois de anos exibindo impressionável virtusiosmo, consegue falar os dois 'idiomas' ao mesmo tempo. Fico sempre envergonhado quando tem um perto de mim ou quando vejo alguma coisa escrita por eles. Fácil também de identificá-los, geralmente não sabem usar a segunda pessoa do singular ("fostes ao Lux ontém?"), não sabem usar os pronomes possessivos, falam "pá" a cada duas palavras e tentam reproduzir tudo o que ouviu na rua; numa tentativa desesperada de serem aceitos por aquele grupo para qual eles não foram convidados. Se você tem um amigo(a) ou conhecido(a) que pratica bilinguismo de rodoviária com você, vacine-se o mais rápido possível, porque isto tem transmissão e propagação fácil e pode ser fatal.
4 - o "falso-nacionalista"
É o famoso 'não te quero mas não te largo'. O falso-nacionalista é aquele que fala mal de tudo o que está a sua volta ('ah, mas os alemães são tão frios!' 'ah, mas o abacaxi do Brasil é tão mais doce!'), espalha clichês e estereótipos do tempo da revolução Russa ('os franceses não tomam banho') e que acham que tudo no seu país é melhor ('ah, mas as favelas do Brasil são tão mais organizadas'). É aquele que vai para o Brasil de férias e o discurso muda completamente: já chega se gabando pros amigos que "não consegue mais viver no Brasil". E que se vive melhor em €uros e que a Europa isto, e que a Europa aquilo. O falso-nacionalista pode ser também aquele cidadão que lhe convida para ir no "xou do xico" que vai rolar no "Ráidi Parqui" e que o critica indignado porque você odeia o tal do Xico: Então fica aí com suas bandinhas que só cantam em ingrêis! O nacionalista quer ser o Diogo Mainardi quando crescer.
5 - o "vítima"
Todo mundo já foi vítima de preconceito alguma vez na vida, isto é um fato e é uma merda. O problema é quando o discurso da vítima de xenofobia vira cartão de visita. As vezes irrita, outras dá sono. Se a comida vem fria no restaurante "é porque eu sou brasileiro", se esperou mais que quinze minutos na sala de espera do dentista "é porque sou brasileiro", se caiu um piano na cabeça é "porque sou brasileiro". O "vítima" e o "íntimo" as vezes podem ser a mesma pessoa. Quando lhe encontram na fila do consulado, e vêem que você também é brasileiro, você passa de mero estranho a psicólogo de plantão em três segundos: desbaratam a relatar - nos mínimos detalhes - os fatos horripilantes da sua vida cruel (e enfadonha) no estrangeiro. Cuidado! o "vítima" tem alto potencial "homem-bomba" e amanhã a sua cara poderá estar estampada nas capas de todos os jornais.
8 comentários:
ADOREIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!
Odeio o Diogo Mainardi. Já passei pela fase "íntimo". Acho normal qd se chega em um novo país (ou cidade)... Com o tempo se perde o interesse à medida que se cria um círculo de amizades.
Eu ja gostei do Diogo Mainardi. Aí vi uma entrevista dele na TRIP e broxei. O cara fala mal do Brasil por esporte, e aquuelas frases de efeito dele ('o cinema brasileiro deveria ser extinto') me irritam demais.
De resto, acho que ja fui todos os tipos acima rsss
Adorei, e fiquei com um medinho paranóico, me identifiquei de leve com todos os tipos... você que esta de fora tem algum em especial que ache ser o meu? "O Xico nunca mais veio fazer xou em Lisboa pá... mas quando vier vou te convidar-te" beijos saudosos
@Jaime:
Claro, que eu tbm tenho um pouco de cada coisa ali, senão nem era possível escrever um post desses. E meus amigos, lóóóóógico que foram inspiração para muita coisa hahaha especialmmente aqueles que querem pedir autógrafo pro Xico e que acham 'brasileiro' é uma língua...
:P beijão nego!
ps: e usted, sumiu do mundo virtual?
esse tema de pessoas que irritam ainda dá muito pano ... e brasileiros que moram fora do Brasil então ... nem se fala rsrrs
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