07/09/10

Goodbye Berlin! (adeus blogue)


Quero agradecer a todo mundo que veio aqui me visitar, comentar, achincalhar, linkar e mais um ou outro verbo que não consta no dicionário. Deixo Berlim com o coração partido e alguns livros para trás, na esperança de um dia, quem sabe, poder vir a resgatá-los. Auf Wiedersehen!

27/08/10

Berlim #14: Pic-Nic portátil


Em Berlim, em pleno Agosto com chuvas e céu nublado todos os dias, o único pic-nic possível é aquele que ainda não foi inventado: o portátil! 

16/08/10

Berlim #13: O FKK (Frei Körper Kultur)

Para o mais comum dos mortais - isto é, um não alemão - passar por um parque qualquer na Alemanha e se deparar com montes de pessoas peladas tomando sol pode ser chocante. Pois é, na Alemanha isso é uma pratica comum que começou na Alemanha do leste e que dura até hoje. Se dá pelo nome de Frei Körper Kultur ("Cultura do Corpo Livre') e é mais conhecida pela sua sigla FKK. Mas engana-se quem pensa que é a mesma coisa que uma praia de nudismo, porque não é. O praticante de FKK pode fazê-lo em qualquer parque ou lago da cidade e nem precisa ter água por perto. E o mais interessante é que ninguém, repito NINGUÉM parece minimamente preocupado.
Claro que para um forasteiro as coisas são bem mais diferentes. Nas primeiras vezes que você vê, na prática, a lei da gravidade a trabalhar em todo o seu esplendor, dá a impressão que aquelas imagens vão lhe perseguir para o resto da sua vida. Mas depois do terceiro peito em forma de beringela ou do enésimo testículo de dinossauro, você já nem sabe quem está com roupa e quem está sem. Mesmo quando aquele septuagenário, sentado mesmo à sua frente, resolve praticar yoga à cinquenta centímetros da sua cara.

15/08/10

Berlim #12: Agosto?!

Pérae, que porra de tempo é este em Berlim? Metade de Agosto e céu todo dia nublado?! Eu sabia que verão em Berlim era uma coisa "diferente" mas até em AGOSTO?! Ahh, não fode né? Pronto, falei.

26/07/10

Pessoas que irritam (parte IV) - especial brasileiros que moram no estrangeiro


Inspirado pelo post das meninas do 02 Neurônio - mas sem antes lembrar que esta 'série' já passeava aqui pelo blogue há uns bons anos - e com a habitual falta de assunto, me dedico agora a quarta parte das pessoas que irritam. Série especial 'brasileiros (ou a nacionalidade que você desejar) que moram fora do seu país.' Ô racinha maldita!

1 - o "íntimo"

Em Portugal ou na Inglaterra, dois países que ultimamente vêm se tornando nas filiais européias do Brasil, isso já não acontece com tanta frequência. Mas num país como a Alemanha (onde não existem assim tantos), encontrar um brasileiro na rua é como encontrar seu melhor amigo de infância que foi sequestrado quando ele tinha sete anos. Você está no metrô falando em Português com alguém no telefone e, quando desliga, o brasileiro que tava ali e ouviu tudo, vem todo animado na sua direção: "você também é brasileiro? que legal! e onde você mora? o que você faz? qual é o seu signo?". Ah, menos né? Claro que não há nada de mal em ser abordado num país estrangeiro por outro brasileiro - e eu próprio já abordei muita gente - o problema é quando eles acham que vocês têm algo de muito maravilhoso em comum, e que não é a sua nacionalidade. Ai, que saco.

2 - o "europeu"

Este virou uma praga. Não quer ser "confundido" como mais um na multidão e se acha especial. Você pergunta há quanto tempo ele mora fora do Brasil e ele faz uma dissertação minuciosa de como sua vida é diferente e maravilhosa depois de setenta e doze anos morando fora. Ele já não se sente mais um estrangeiro, e adora dizer que "faz parte da mobília". Geralmente sozinho e com altos níveis de ausência de personalidade, o "europeu" prega aos quatro cantos em falso lamento "que quase não conhece e não se relaciona com nenhum brasileiro" ou que já não sabe o que 'jabuticaba' quer dizer em Português ou que esqueceu completamente como se usa o gerúndio. O "europeu" é facil de ser identificado, é aquele que quando está metido numa confusão, ou reclamando com a caixa do supermercado porque foi maltratado, repete a sua frase de eleição, aquela que lhe dá poder máximo e todo o direito de armar barraco: "eu também sou [preencher nacionalidade], viu?!"

3 - o "bilíngue de rodoviária"

Este todo mundo conhece um. E eu estou falando dos que moram especialmente em Portugal. É aquele que fala Português do Brasil e Português de Portugal. E que às vezes, depois de anos exibindo impressionável virtusiosmo, consegue falar os dois 'idiomas' ao mesmo tempo. Fico sempre envergonhado quando tem um perto de mim ou quando vejo alguma coisa escrita por eles. Fácil também de identificá-los, geralmente não sabem usar a segunda pessoa do singular ("fostes ao Lux ontém?"), não sabem usar os pronomes possessivos, falam "pá" a cada duas palavras e tentam reproduzir tudo o que ouviu na rua; numa tentativa desesperada de serem aceitos por aquele grupo para qual eles não foram convidados. Se você tem um amigo(a) ou conhecido(a) que pratica bilinguismo de rodoviária com você, vacine-se o mais rápido possível, porque isto tem transmissão e propagação fácil e pode ser fatal.

4 - o "falso-nacionalista"

É o famoso 'não te quero mas não te largo'. O falso-nacionalista é aquele que fala mal de tudo o que está a sua volta ('ah, mas os alemães são tão frios!' 'ah, mas o abacaxi do Brasil é tão mais doce!'), espalha clichês e estereótipos do tempo da revolução Russa ('os franceses não tomam banho') e que acham que tudo no seu país é melhor ('ah, mas as favelas do Brasil são tão mais organizadas'). É aquele que vai para o Brasil de férias e o discurso muda completamente: já chega se gabando pros amigos que "não consegue mais viver no Brasil". E que se vive melhor em €uros e que a Europa isto, e que a Europa aquilo. O falso-nacionalista pode ser também aquele cidadão que lhe convida para ir no "xou do xico" que vai rolar no "Ráidi Parqui" e que o critica indignado porque você odeia o tal do Xico: Então fica aí com suas bandinhas que só cantam em ingrêis! O nacionalista quer ser o Diogo Mainardi quando crescer.

5 - o "vítima"

Todo mundo já foi vítima de preconceito alguma vez na vida, isto é um fato e é uma merda. O problema é quando o discurso da vítima de xenofobia vira cartão de visita. As vezes irrita, outras dá sono. Se a comida vem fria no restaurante "é porque eu sou brasileiro", se esperou mais que quinze minutos na sala de espera do dentista "é porque sou brasileiro", se caiu um piano na cabeça é "porque sou brasileiro". O "vítima" e o "íntimo" as vezes podem ser a mesma pessoa. Quando lhe encontram na fila do consulado, e vêem que você também é brasileiro, você passa de mero estranho a psicólogo de plantão em três segundos: desbaratam a relatar - nos mínimos detalhes - os fatos horripilantes da sua vida cruel (e enfadonha) no estrangeiro. Cuidado! o "vítima" tem alto potencial "homem-bomba" e amanhã a sua cara poderá estar estampada nas capas de todos os jornais.

28/06/10

Berlim #11: Deutschland über alles

Foi bonito de ver a - belíssima e merecida - histeria alemã após vitória massacrante sobre os Ingleses. Um amigo alemão teoriza que os germânicos voltaram a ter orgulho de si próprios depois da copa de 1990 (ironicamente, logo após a queda do muro). E por isso, quando ganham, é como se fosse uma espécie de redenção do passado vergonhoso e o perdão do resto do mundo. Não gosto muito da simetria de cores da bandeira alemã mas gosto muito da teoria do meu amigo. Se o meu Brasil não levar o sexto troféu para casa, ficaria contente em ver a Alemanha bordar a sua quarta estrela no uniforme preto e branco. Viel Glück Deutschland!

26/05/10

Berlim #10: Is this real life?

Com o verão chegando, a Berlim cinzenta de poucos meses atrás vai se desabrochando... E esta imagem* aqui (com a minha amiga Manu me acompanhando) é daquelas que só podia acontecer em Berlim. Na cidade onde tudo acontece.

*Para entender melhor, é preciso ter visto este video aqui. (foto: Brecht)

14/02/10

Berlim #9: viver na Alemanha do leste

História boa mesmo é a de um amigo alemão que passou toda a sua infância na Alemanha de leste. Em 1989, quando o muro caiu e se deu o colapso da União Soviética, ele tinha 14 anos e só conhecia três sabores de sorvete em toda a sua vida: vermelho, branco e marrom. Isso mesmo, os sabores eram conhecidos pelas suas cores (que eles imaginavam ser - respectivamente - morango, baunilha e chocolate) pois frutas 'exóticas' (manga, abacaxi, pêra, etc.) era coisa do ocidente. Era como viver sob uma espécie de 'Dharma Initiative'. Então, um belo dia, este meu amigo se depara com o que - pensava ele - ser uma espécie de batata geneticamente modificada. As 'batatas' do ocidente, me contou meu amigo meio envergonhado, nada mais eram do que Kiwis.

13/02/10

Berlim #8: eu e a Berlinale

Eu subestimei a Berlinale. Quando peguei a programação em mãos, e circulei todos os filmes que eu queria ver, não fazia a minima idéia do tamanho da minha ingenuidade. Conseguir um mísero bilhete para a Berlinale, desde a estréia na 5ª feira, é uma ilusão. Mesmo com os valores dos bilhetes - onze euros - a preços nada populares. Fiquei na fila 40 minutos e desisti. Tentei então comprar pela internet mas tudo o que estava disponível online já estava completamente "sold out". Tentei chegar de manhazinha no local (as portas abriam as dez da manhã) mas a fila de pessoas acampando em frente a bilheteira era desanimadora. Uma mulher ontém perambulava pela Potsdamer Platz com uma plaquinha "compro 2 bilhetes para The Ghost Writer pago bem" mas algo me diz que ela não teve muito sucesso na sua busca. 'The Ghost Writer', o novo Polanski, era um dos filmes mais esperados da Berlinale. Apesar de uma recepção fria por parte do público, já há um rumor na imprensa alemã de que o prémio pode ir para Polanski por puro protesto à sua prisão na Suíça. A Berlinale dura até dia 21 e ainda pretendo fazer umas tentativas pelas sessões menos concorridas. Caso contrário, vou ter de me juntar ao povão que vai todo dia à Postdamer Platz ver as estrelas acenarem no tapete vermelho do festival. Saudades do IndieLisboa.

10/01/10

Berlim #7: da série 'micos inesquecíveis'

Como minha querida Raquel lá em Viena, também ando pagando mico um atrás do outro aqui por Berlim. Já foram tantos que isso dava assunto para dezenas de posts. Se eu tivesse um Blackberry então, este blogue nunca estaria tão actualizado. A última das minhas pérolas aconteceu há já um tempinho. Eu andava pela rua perdido nos meus pensamentos, quando uma imagem me chama a atenção. Então eu vejo aquele urso que é o símbolo que ilustra a Berlinale (o festival internacional de cinema de Berlim) no caminhão de lixo da cidade. Depois, comecei a reparar que nos caixotes de lixo espalhados pelas ruas da cidade eles também estavam lá. Não demorei mais que dois segundos para formular uma teoria brilhante. A empresa do lixo é uma das patrocinadoras do Festival de Berlim! O mais triste disso tudo é que não contente com a minha brilhante 'descoberta', perguntei para umas das minhas professoras se era mesmo assim e ela riu nervosamente, na dúvida se eu estava ou não fazendo uma piada. Diante do meu silêncio constrangedor e sorriso amarelo manga, ela finalmente me explicou o óbvio. Assim como o galo em Portugal e o touro na Espanha, o urso nada mais é que o símbolo de Berlim. E a minha vontade foi de simular um ataque cardíaco e nunca mais aparecer na aula desta professora.

04/11/09

Berlim #6: lisboeta também sofre

Encontrei por acaso há algumas semanas, um rapaz de Lisboa, fazendo intercâmbio aqui na Universidade Livre. Hoje voltei a reencontrá-lo na sala dos computadores e enquanto eu me aproximava, percebi que ele estava indignado resmungando umas palavras soltas. 'inacreditável' disse ele. 'Então?' eu perguntei. E ele só apontou com o dedo para o Mac onde se escolhia a língua de trabalho do computador. Estava lá, uma bandeirinha do Brasil com a inscrição ao lado: brasilianisch. Sorri amarelo e senti uma pontinha de vergonha e culpa.

01/11/09

Berlim #5: Roça Roça Roça

Esta música me persegue em qualquer lugar que eu vá em Berlim. Ela passaria totalmente despercebida se não fosse o refrão - asqueroso - em português, ou melhor, em carioquês. Uma verdadeira aula de subtileza pop.

09/10/09

Berlim #3: O Weinerei

Este é desde já o meu lugar preferido em Berlim: o Weinerei (algo como 'casa do vinho' ou como dizem os espanhóis 'vineria', não sei se temos o equivalente em português...). Fica num dos bairros mais alternativos de Berlin (Prenzlauer Berg) e comporta dois pisos: uma cave, mais intimista e com uma decoração composta de objectos antigos e art vintage e o primeiro piso, mais claro, maior e mais arejado. Ambos, repletos de vinhos de todas as partes do mundo, por todos os lados. Mas não é um bar, nem um restaurante, é muito mais que isso.Você entra e compra um copo de vinho - vazio - por 2€ (você compra literalmente, se quiser levar para casa, é seu) e esse copo você vai usar para beber e provar todos os vinhos que quiser. Nos dois pisos tem água estrategicamente ao alcance de todos para dar uma lavadinha na hora de mudar de vinho. Nos balcões espalhados pelos dois pisos, as garrafas convivem harmoniosamente com funcionários e a clientela, quase não se sabe quem é quem. Existe um simpático barman em cada balcão para explicar as regras ou dar alguma dica preciosa de um vinho imperdível. Mas é só, quem se serve é você, porque o barman também bebe e se diverte no meio do beautiful people. Lá pelas nove da noite, tem jantar no andar de cima, e é só pegar o prato e os talheres e se servir. Tudo num clima muito informal e descontraído como se você tivesse na casa de amigos íntimos. Na hora de ir embora, vem a melhor parte: você paga quanto você acha que deve pagar. É exactamente esse o lema da casa: se você gostou dos vinhos, do serviço, da comida, quanto você acha que deve pagar? Claro que tem sempre os espertalhões, eu vi pessoas pagando 1 euro no balcão e achei meio sacanagem. Mas segundo o barman, são raríssimas as pessoas que pagam quantias simbólicas, caso contrário, o lugar fechava em duas semanas. Resultado, bebemos e comemos igual a uns condenados e pagamos 8€ cada e uma amiga que nem bebeu assim tanto, 6€. É daqueles lugares que você se apaixona à primeira vista e promete para si próprio que vai levar todos os seus amigos lá quando eles vierem lhe visitar. Aufwiedertrinken!

08/10/09

Berlim #2: as padarias alemãs

Ok, prometo que o próximo post não será sobre comida - mesmo porque, pelo pouco que vi aqui, não vou ter muito o que falar - mas d'uma coisa eu preciso falar: das maravilhosas padarias berlinenses. Filho de padeiro e quase que criado dentro de uma padaria, há muito tempo que não me deliciava numa padaria como as que tenho encontrado aqui em Berlim. Para quem só conhece as lisboetas (onde pastelaria e padaria são duas coisas completamente diferentes) não faz a mínima idéia do que eu estou falando. Em Lisboa, TODAS as padarias/pastelarias vendem massivamente as mesmas coisas: variações de doces de ovos, croissant (simples, com chocolate ou...doce d'óvos!) e salgadinhos frios. Aqui não, me sinto a própria Alice no país das maravilhas. Zilhões de opções. Bola de Berlim como os sonhos brasileiros fechadinhos e recheios de vários sabores, mini-pizzas quentinhas a qualquer hora do dia, dezenas de tipos de bolos: de maçã, de queijo, de banana hummmmm... uma verdadeira loucura! Sem falar nas meninas que nos atendem, sempre com um sorriso no rosto e fazendo o maior esforço para entender meu alemão vagabundo... as padarias berlinenses são paragem obrigatória para qualquer um que goste de bolos e salgadinhos como eu, mesmo que tenha que pagar 1 euro e meio pelo balde de café de saco. Pelo menos, no quesito café, ninguém ganha dos lisboetas. Também não se pode ter tudo.

10/09/09

Berlim post #1: minha vida por uma bica

Ô saudade desgraçada do café português. Quase uma semana depois em Berlim e meu organismo já sofre com o asqueroso café alemão (que deveria ser servido em baldes não em chávenas). Eu daria minha vida agora por uma bica e um pastelzinho de Belém quentinho. Só umzinho.

03/08/09

Propagandas que mudam vidas (II)

Essa também é muito boa. Já vi há algum tempo (no cinema também) e é bem curtinha, apenas 0:31 segundos. Mas indiscutivelmente simples e engraçada. Uma lufada de ar fresco contra aquelas xaropadas lamechas da SuperBock com gente "cool" bebendo cerveja em câmera lenta num mundo perfeito e a musiquinha insuportável de banda sonora. Ahhhhhhhh, me poupe Super Bock!

Propagandas que mudam vidas (parte I)

Esta é a versão para cinema (que eu vi no Alvaláxia) de uma propaganda da Sociedade Ponto Verde que eu acho o máximo. Não é original (porque, apesar de não assumido, é claramente inspirado nos geniais episódios de Creature Comforts) mas é brilhantemente adaptado às personagens que lhe dão vida. Hilariante do começo ao fim.

24/07/09

Pastel de nata não concorre com Punheta

"O pastel de nata é uma coisa focalizada em Lisboa, junto a Belém" e, apesar de se consumir um pouco por todo o mundo devido aos produtos congelados, "não compete com a Punheta de Bacalhau" porque esta iguaria tem uma "longa tradição e história cultural", reforçou o fundador da Confraria da Punheta de Bacalhau Hernâni Magalhães."

O artigo na íntegra está aqui.

23/07/09

sem querer ser estraga-prazeres...


...mas esqueceram de botar açúcar no novo Compal goiaba ou é assim mesmo?

20/07/09

TOP 20 coisas que não gosto em Portugal

Que este blogue anda com uma falta de assunto terrível, associada à preguiça incorrigível deste que vos fala, e que caminha para uma inevitável extinção devido a esta irregularidade de actualizações, não é novidade para ninguém. É por isso que, de vez em quando, vou roubando umas idéias aqui e acolá e vou adaptando ao blogue para, pelo menos, dar uma disfarçada para quem ainda perde tempo vindo aqui. Foi vendo esta lista aqui que resolvi elaborar a minha também. Assim, para a infelicidade geral da nação, este blogger lista as 20 coisas que mais ODEIA nas terras de Cabral:

01- a pronúncia horrorosa que a maioria dos portugueses faz do meu nome: "uéLÍNtón".
02- quando dizem que o resto do mundo fala inglês mal e com sotaque (excepto os próprios, claro).
03- a televisão pública que é do mais vagabundo que há.
04- a (maldita) carne de porco, que está em 99,9% dos alimentos designados por "carne"
05- o silêncio sepulcral nos transportes públicos durante a manhã.
06- a distância (abismal) entre aluno e professor.
07- o português brasileiro transformado aqui em outro idioma.
08- o conservadorismo em relaçao ao acordo ortográfico.
09- que a referência em papelaria do país seja a falida e muito vagabunda "Papelaria Fernandes"
10- supermercados que não existem ao fim-de-semana e depois das 21hs.
11- a impressão de que todas as pessoas entre os 20 e os 30 anos são assexuadas.
12- chamarem a castanha do cajú de... "cajú" ignorando o facto de ali ter existido uma fruta junto (esta sim de nome "cajú")
13- as 1478 variações do "doce d'ovos" que infesta 9 entre 10 dos bolos nas pastelarias e cafés.
14- os caracóis (que estão para mim o que os ratos estão para todo mundo) ser um protagonista da culinária portuguesa.
15- a publicidade, que trata o cliente por "você".
16- a agua do mar, que é assustadoramente gelada.
17- as discotecas que barram gente na porta porque sim e que acha que isso é "supercool"
18- as meias brancas serem consideradas (inexplicavelmente) uma coisa brega mas não as calças meia-canela ou usar cachecol no verão.
19- a falta de tradução para a palavra "hiponga"
20- o ensino "público" que na verdade é pago.

01/07/09

Carta de suicídio de uma amiga

Desculpa Raquel, mas depois que eu li seu bilhete de suicídio eu pensei "preciso publicar isso no blogue". Se você ficar puta comigo pode me mandar um e-mail e eu retiro. É que eu achei hilário demais para ficar só na minha caixa de entrada.

Depois de uma semana inteira na companhia de George Orwell, Luigi Pirandello e Clarice Lispector, a estudante Raquel Caldas Mendonça suicidou-se na tarde de hoje por ter sido obrigada pelo namorado a ler "Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus", do americano John Gray. Na carta suicida, endereçada ao amigo Wellington Almeida, a jovem confessou que assim que abriu o livro sentiu-se mal e que um incontrolável instinto suicida se apoderou dela, tamanha filosofia barata. "Ele me obrigou Well, e eu acabei comprando o livro! 12 euros! 12 malditos euros que eu podia ter gasto comprando Dostoiévski ou Camus, mas não! ELE me obrigou a ler auto-ajuda." A jovem será cremada e suas cinzas enviadas ao Brasil. Como último pedido, solicitou que suas cinzas fossem jogadas em cima da cripta de Carlos Drummond de Andrade. O namorado rock star disse através da sua assessoria de imprensa que vai tentar ler o "Livro do Desassossego", do poeta português Fernando Pessoa, como forma de redimir-se da culpa eterna.

Reuters

29/06/09

Eu e o Porto

Quando vi as belíssimas fotos do Porto tiradas pela minha amiga Raquel, quase me deixei enganar. A zona ribeirinha é linda e única mas nada tira do Porto o galardão de cidade mais aborrecida do mundo. E já estou contando com Milão, Leiria e Arapoti!

05/05/09

Troca de emails

_ Cris, olha aí mais uma fofoca sobre a Amy. "Amy Desmaia e é hospitalizada".

Resposta:

_ E desde quando a Amy desmaiar ou ter uma overdose é fofoca? É pleonasmo!!

04/05/09

Ninguém entende o Twitter


"cerca de 60% dos que se registam no Twitter desistem das actualizações ao fim de um mês" reclamam horrorizados os responsáveis pela rede Twitter. A notícia caiu como uma bomba junto dos fundadores do site. Engraçado foi a justificação de um dos criadores, Evan Williams "é muito simples mas não óbvio [de usar]". E eu confesso, sem irónia alguma, que até hoje não entendo a utilidade desse Twitter.

02/05/09

Eu não gosto da Susan Boyle


Isto até pode parecer um comentário cínico da minha parte mas de facto não nutro qualquer simpatia pela camponesa escosesa abobalhada que está fazendo sensação no YouTube, a Susan Boyle. Após ter mostrado que seu vozeirão não combinava com a sua aparência "rude" (adjectivo que li num artigo do DN) virou a estrela do concurso televisivo Britain's Got Talent e fez o vídeo ter mais de cem mil visualizações na internet. O vídeo que eu vi ainda tinha uma liçãozinha de moral no fim, do tipo "não julgue um livro pela capa" escrito em letras garrafais. Arrrgggh, estas coisas costumam me dar náuseas. Não é o cepticismo que me compele, nem se trata do cinismo nauseabundo por parte dos jurados. O que me irrita aqui é a ignorância e a total amnésia em relação aos grandes vocalistas da história da música! De onde saiu esta idéia de que as grandes vozes estão por trás de caras lindas e bronzeadas? E o povão aplaude de boca aberta em catarse colectiva impressionados pela mulher feiosa de 47 anos que conseguiu se dar bem. É triste assistir o que a estética televisiva dos reallity shows fez com a gente.

29/04/09

Da série "me engana que eu gosto"

"Acordo Ortográfico estará seguramente em vigor ainda este ano" Disse o ministro da cultura português José António Pinto Ribeiro em chamada de notícia publicada no Diário de Notícias online sexta-feira. Então tá bom.

27/04/09

O projecto de lei francês sobre downloads ilegais


Esta nova - muito polémica - proposta de lei francesa que promete punir os usuários que fazem downloads ilegais com o corte total à internet me fez lembrar de «Relatório Minoritário» do Spielberg. No filme, os «assassinos» são presos antes mesmo de cometerem os crimes pelos quais estão a ser condenados. Quero dizer, coloco o álbum novo da PJ Harvey para baixar, mas meus downloads estão super lentos e o arquivo está quase a meio... o que fazer? os homens da censura se perguntam. Barramos já o acesso desse tipo ou vamos esperar ele ter o álbum todo no computador? Ser punido sem ter cometido o crime por completo, jamé!

18/03/09

Lost in Translation (II)

Inspirado pelo post da Raquel, resolvi lavar umas roupas sujas em público. O assunto é o mesmo, pela pentelhésima vez. Sábado a tarde, turma toda se preparando para um pic-nic em Monsanto, clima de alegria e descontração até que.... nosso mestre de cerimónias Jaimão, me flagra num momento de pura hostilidade e o climão começa a ruir nossa tertúlia. Eu segurava o encarte do cd dos Deolinda [banda portuguesa que tem vindo a fazer considerável sucesso com sua "nova leitura" do Fado] e com desprezo, lançava-o à mesa de centro com a seguinte sentença "...Se eu ainda tinha algum interesse por isto, este acabou de desaparecer!" Eu falava do primeiro verso de "Garçonete da casa de Fado" que começa assim:

Eu sou brasileira e já arranho o português.
Cheguei vai pra uma semana e já me viro com freguês

Ok. Você deve estar pensando "Lá vem ele mais uma vez com esta ladainha". Pensou certo. Pode até ser que isso seja um papo furado sem fim, mas eu realmente queria discutir duas ou três coisas a propósito dos subtextos simbólicos que uma mensagem pode conter, no caso, a letra de uma música. Porque eu acho isso muito mais grave do que parece. Após o meu comentário aos versos da canção, algumas pessoas vieram me dizer "ah, mas você não tem sentido de humor!". Sentido de humor? Eu acho que até tenho certo sentido de humor, obrigado, mas não vejo humor nenhum ali. Peço desculpas se minhas capacidades intelectuais não chegaram lá. Fui radical no meu comentário? Provavelmente. E se pudesse voltar atrás, não o faria da mesma forma. Acho que nem sequer o faria. Mas argumentar que a letra é "inofensível" ou é "uma metáfora" ou "é a liberdade de expressão da banda através da música" como tentaram, eu refuto veemente todas estas "justificações". Não aceito o pensamento de que uma letra de música tenha muito menos importância que um artigo de opinião ou um capítulo de um livro e por isso não tenha de ser levada a sério. A música - e qualquer outro meio de comunicação de massas - chega a muito mais gente do que qualquer um dos outros exemplos aqui citados. É através da música - também - que se forma opiniões, que se dá opiniões.
Por mais que se dê o benefício da dúvida a estes versos - seja pela (suposta) intenção do gracejo, seja pela rima fácil que "Português" faz com "freguês" etc etc etc - é a sustentação de uma afirmação deveras irresponsável. A "metáfora" que alguém defendia no sábado no meio da discussão, passou muito longe dali. Se, por exemplo, assumimos que a ortografia é uma mera convenção arbitrária de uma língua , então também podemos afirmar que segmentos fonológicos que se divergem semanticamente, são produtos completamente distintos entre si, certo? Se vivêssemos num mundo sem fronteiras morais, políticas, éticas, you name it, a resposta seria "SIM". Mas felizmente, para o bem ou para o mal, isto não é o que vigora, e por assim ser, não podemos nos dar ao luxo de desbaratar a dizer (ou cantar, neste caso) asneiras a torto e a direito sem tomar o peso da responsabilidade para si próprio. Até lá, faço uso daquele famoso bordão (do Pessoa?) que bate no peito e diz: "Minha língua é a minha pátria". E isto, deveria ser motivo de orgulho para uns quantos milhares poraí.

P.S. No final, tudo ficou bem. Entre tapas e beijos e uns 38 pedidos de desculpas.

10/02/09

Madonna Lésbica


Você também não sabia, aposto. Mas segundo o site EGO quem come agora, é a mãe.

07/02/09

Pérola do dia


« Penso, Logo ...menstruo »

Raquelzita, em momento máximo de sabedoria feminina no seu Koiné["Penso", para quem não sabe, em Portugal também significa absorvente feminino]

02/02/09

Quem tem medo de Noam Chomsky ?

O linguísta americano Daniel Everett no Amazonas, com um pescador pirahã.

Através da minha querida amiga Raquel chegou às minhas mãos um artigo - publicado hoje na Folha online - precioso. O artigo fala de uma língua falada por uma tribo do Amazonas, o pirahã, que por causa das peculiaridades do seu idioma, contradiz completamente a teoria da "Gramática Universal" defendida pelo "papa" da linguística, Noam Chomsky. Quem a defende é o linguísta norte-americano Daniel Everett. Segundo ele, o pirahã não partilha dos princípios universais linguísticos essenciais para a Gramática Universal, segundo o qual a biologia humana molda a linguagem e a variação gramatical em todas as línguas. O principal ponto é a falta de recursividade do pirahã, ou seja, a capacidade de formar frases infinitamente longas encaixando elementos um no outro [ex. Maria ama João que ama Joana que ama Fernando...]. A teoria, defendida por Everett, se for comprovada, pode vir a abalar os pilares de tudo o que se conhece e se estuda hoje sobre linguística. Em dezembro, o linguísta norte-americano lançou no Reino Unido o livro «Don't Sleep, There Are Snakes» no qual desenvolve mais amplamente sua tese. Não tenho nada contra Chomsky - muito pelo contrário - e acho importantíssimo toda a vida que ele dedicou nos estudos sobre linguística, mas é sempre interessante e reconfortante descobrir que há vida para além do arco-íris. O artigo e a entrevista dada à Folha de São Paulo pode ser lida aqui.

29/01/09

Desabafo do dia

O alemão é a língua mais FILHA DA PUTA que existe. Punct.

A volta dos que não foram

Artigo no jornal do Metro de ontém, quarta-feira 28/01/2009

Starbucks

E eu ouvia um tal de «Starbucks» para lá «Starbucks» para cá e nem fazia idéia de que não tinha pairado nenhum por aqui ainda. Pois não. Por isso esse buxixo todo. E parece que já abriram duas de uma vez, para saciar esta gente sedenta cansada dos Buondis queimados da vida. Fiquei curioso. Aí um amigo em estado de choque me conta que pagou u-m-e-u-r-o-e-o-i-t-e-n-t-a por dois dedinhos de café espresso e eu caí para trás. Putz, não fode né? e o pior de tudo é que foi numa chávena de louça (!) sem direito àqueles copões que a gente vê nas mãos do povo dos filmes. É por isso que sou muito mais minha Nespresso Essenza edição limitada. Sem filas, sem hypes e sem o George Clooney.

28/01/09

Só as mães são felizes

Quando minha mãe pedia electrodoméstico, tapete persa ou sofá novo como presente de aniversário ou no dia das mães eu ficava indignado. No auge da minha rebeldia pueril achava que ela era uma pobre vítima da sociedade se reduzindo a um mero papel de dona de casa reprodutora e submissa. Aí eu dava flores. Ignorando o facto de a Dona Maria ser uma nordestina cabra da péxte que sabe muito bem das coisas. Hoje fiquei doido para fazer uma receita de um bolo que vi no google mas na falta do ingrediente principal lembrei da minha velhota na hora: só as mães sabem a felicidade que é ter uma batedeira em casa.

27/01/09

Uma palavra sobre «A Favorita»

Não queria vim para aqui falar o que eu penso de novela. Sempre que falo vêm pessoalzinho falar que eu preciso relaxar, ver bobagens de vez em quando porque a vida é séria demais, que sou metido a intelectual e as mesmas baboseiras de sempre. Falar mal de novela virou sinónimo de cinismo intelectualóide e estou fugindo desse rótulo como o diabo foge da cruz. O problema é que ultimamente ando vendo que muito boa gente - incluindo amigos queridos de muito, ops, bom gosto - anda vendo novela. Em especial esta tal de «A Favorita». Nunca vi um único episódio mas de tanto ouvir comentários alheios, fui tomando parte do bolo. Por exemplo, sei que o autor tentou dar uma manipulada aí na opinião pública que malhava as novelas, acusando-as de variações do mesmo tema, e transformou a vilã na boazinha e vice-versa. Aí vejo o Daniel Piza [jornalista/colunista do Estadão] comentando no seu blogue o último capítulo da novela e fico cabreiro: será mesmo o fim da standardização novelesca? Estarei perdendo alguma coisa de realmente importante? Sem parar para pensar muito, continuo céptico:a resposta é não. Acho válido que dentro deste nicho popularesco e acessível (perdoem-me o pleonasmo) que a produção folhetinesca se insere, hajam estas, digamos, subversões narrativas. Mas que isso não tire o seu objectivo: novela é feita para chegar ao grande público, para agradar a gregos, troianos e romanos de tabela. Se a audiência está fraca porque as personagens lésbicas não têm protagonismo, matem as lésbicas numa explosão qualquer. Autor é pago para vender anúncios, dar Ibope. E quem faz protesto para novela liberar cena de beijo gay é porque não deixou a ficha cair ainda. Já vi muita novela na vida, a última foi «Renascer» se não me engano, e deixei de vê-las simplesmente por falta de interesse. A mesma falta de interesse que me fez deixar de lado os gibis da Magali que eu adorava. Diversão vagabunda e despretensiosa para mim é «Showgirls» do Paul Verhoeven e nem tenho que ficar preso à tv por sete meses.

15/01/09

Da série: O que preocupa os brasileiros?

Leio hoje, na página principal da Folha de São Paulo online, as cinco notícias mais lidas do site. Nos dois lugares cimeiros:


1 - "Presidente disse que não acredita que o refúgio político a Cesare Battisti vá abrir uma crise diplomática com a Itália."

2 - "Flora levará tiro de Irene ou Silverinha em «A Favorita» "


E tem gente que ainda se preocupa com recessão, crise mundial e estas coisas.

02/12/08

...E a Byblos fechou

A Byblos, a livraria que se gabava de ser a maior do país (e que fechava aos domingos, santa burrice) fechou há algumas semanas. Foi uma comoção nacional. Até destaque nos jornais televisivos em horário nobre teve. Sem querer parecer presunçoso, não foi muita novidade para mim quando soube da notícia. Uma empresa daquele porte e que não tinha preços, estrututas e serviços à altura da sua maior concorrente (a Fnac) não pode culpar a crise mundial pelo seu colapso. Muita tinta já foi gasta com o assunto e muitos dedos apontados também. Só que agora é tarde demais. Vamos é ver se serve de lição aos empresários que têm - por defeito - meter o ego na frente da carroça e dos bois.

12/11/08

Período sabático

Este blogger promete, com a mão direita em riste, retorno activo do período sábatico para muito breve. Mudança de residência, falta de internet e apatia total são algumas das desculpas para o abandono involuntário deste que vos escreve. Coisas que eu volto a falar num post futuro quando os porras da Clix resolverem se me quer como cliente ou não. Até lá, vou fazendo uns rascunhos no Word para não faltar assunto. Até já.

A arte da burocracia

Para se obter a nacionalidade portuguesa por naturalização um dos requisitos básicos para o fulano que tenha tais intenções é que conheça razoavelmente a língua portuguesa. Nada mais justo, claro. Mas a exigência também vale para os cidadãos oriundos dos países de língua oficial portuguesa, veja você. Mesmo que comprove que não são analfabetos e pior, que frequentem uma instituição de ensino superior portuguesa. É como quem diz «você perde um pouco do seu tempo, eu perco um pouco do meu e assim vamos fortalecendo essa aliança ariana que é a burocracia». Nunca o Simplex foi tão claro para mim.

09/07/08

Do Portugal profundo

"...Eu não sou nada racista, se eu lhe disser que os pretos do meu prédio têm a renda mais em dia do que os próprios brancos, você não acredita..."

Uma colega de trabalho num momento de inspiração profunda.

A arte de liderar

Eu tava fazendo zapping na tv e paro numa espécie de reallity show na Sic Mulher, onde vários chefes de cozinha disputavam a gerência de um restaurante. Não sei o nome do programa (e fiquei com preguiça de pesquisar no Google) mas acho que é daquele cozinheiro famoso chamado Jamie. Numa das provas - chefiar uma cozinha de um restaurante movimentado - por um dia, o chefe do restaurante em questão faz um comentário acerca de um dos participantes ao Jamie. "Ele não serve para isto. Entrou aqui com aquela postura de quem não quer arranjar atritos com ninguém, quer ser amigos de todos..." e o Jamie completa "...e quem tem este tipo de postura não serve para gerir estabelecimento nenhum." Pela minha pouca experiência com patrões e chefes da vida, pelo menos 95% dos que tive pensam exactamente assim. Que é preciso ser odiado/temido pelos funcionários para ser um bom gestor. Não sei se é isso que as faculdades de gestão ensinam poraí mas acho lamentável que hoje ainda, formadores de opinião da mediaticidade do tal Jamie acredite nestas histórias da carochinha. Não se pode acreditar que quem, na maioria das vezes, dá a cara a uma empresa deve ser tratato com indiferença, desconfiança. É precisamente o contrário. Há uma grande diferença entre "temer" e "respeitar" e são poucos os sábios é que sabem disso.

04/07/08

Da série "viajando na maionese"

«Têm a ver com a maneira de ser e de estar dos irlandeses (...) por serem católicos e tradicionais, os irlandeses tiveram receito de que uma onda liberalizadora pudesse atingir os costumes e causas essenciais na sociedade (...) pairava uma ameaça ao nível da soberania, nomeadamente da neutralidade militar»

Isabel Meirelles, especialista em assuntos europeus, justificando o "não" irlandês ao Tratado de Lisboa no Público de sexta-feira. Então tá.

25/06/08

Eu e o Bruno Nogueira


Pego meu cdzinho, vou para a fila da Fnac e quando lá chego, aquele cidadão alto e desengonçado à minha frente me chama logo a atenção. É o Bruno Nogueira, aquele moleque feio com três metros de altura que conta umas piadas sem-graça na televisão e alguns chamam-lhe génio. Tiro-lhe as medidas todas: jeans largão, t-shirt básica, e ténis surrados para dar um ar (falso) de quem quer passar despercebido. Olho as pessoas à sua volta e apenas um senhor, acompanhado da filha adolescente, apercebe-se do "artista" na fila e fitam-no com curiosidade. A garota da caixa - que já reparou quem será o seu próximo cliente - tenta desesperadamente fazer cara de indiferente e não move um músculo da face. Em vão. Consigo farejar o seu nervosismo à distância. É a vez do Bruno então.

_ Boa Tarde. Tem cartão Fnac?
_ Não, não tenho. [voz de culpa]

Ele mete, desajeitado, a sua pilha de DVD's e livros no balcão. Fico imaginando os títulos (ele deve ser daqueles putos que acha que o cinema foi inventado pelo Tarantino, por isso, deve ter muito cinema "indie-brutal" e, pelo meio, um ou dois filmes escandinavos surrealistas para disfarçar) mas procuro não olhar para não lhe dar este gostinho de querer parecer cool e me finjo distraído com o telemóvel quando ele dá uma ligeira olhadela para trás. Entretanto ele se volta e fixa imóvel o folheto do cartão Fnac ao balcão. Parece incomodado, como se a loja toda estivesse olhando para o seu enorme ego e eu fico torcendo para que ele dê uma vista geral de olhos na loja e encare aquele chocante cenário. Imagino nosso diálogo.

_ Podes olhar, não tem ninguém te olhando.
 [ele dá uma ligeira curvada para trás]
_ É contigo mesmo, podes olhar para trás, relaxa.
_ Desculpe? Está a falar comigo?
_ Estás desculpado. Sim, contigo. Eu disse que...
_ Desculpe lá, mas eu lhe conheço de algum lado?
_ Felizmente não. E isto é culpa da TV que faz nos sentir tão íntimos dos "artistas"...
_ Pois, o problema é que não se pode abordar comediantes dessa forma na rua, não aprendeu a lição com um dos meus últimos e brilhantes sketches?

E então voltamos a realidade e ele agarra o seu saquinho amarelo - sempre fazendo cara de garoto tímido - e sai olhando para o chão, como se fosse a Madonna saindo da limusine para entrar no hotel de luxo. E a menina do caixa agradece, respira fundo, fecha a gaveta e já está pronta para continuar tranquila o seu dia.

_ Boa Tarde. Tem cartão Fnac?

18/06/08

Sobre o Acordo Ortográfico

Num jantar entre amigos, depois de todas as trivialidades postas à mesa, eis que o nosso mestre de cerimónias, Jaimão, pede para sacarmos "assuntos polémicos" para aquela tertúlia. Teve de tudo, até sobre a suposta avó de Jesus Cristo (!) falamos. Até que claro, aproveitando a miscigenação lusitana do momento, fui puxar o maldito Acordo Ortográfico da gaveta...
Em termos gerais, as opiniões contrárias ao Acordo Ortográfico no meu ver, são compostas das seguintes maneiras:

1 - Purismo.
2 - Purismo.
3 - Falta de informação.
4 - Interesses pessoais por parte das editoras.

Claro que ninguém é obrigado a ser a favor do Acordo (que já foi aprovado e quase ninguém se deu conta, ainda hoje recebo e-mails com a tal petição "contra") mas argumentos válidos que é bom, nunca vejo. Não tenho a intenção de fazer nenhuma apologia ao acordo aqui no blogue, tenho milhares de razões para ser a favor - e nenhuma delas inclui o facto de seu ser brasileiro - mas é que este assunto já me cansou de uma forma que me arrependo toda vez que eu entro numa discussão sobre. Mas é mais forte que eu, simplesmente não consigo evitar.